20 de jul. de 2011

Interecessão

A IGREJA ORA
(At 4:23-31)



Qual foi a reação dos apóstolos diante da proibição e ameaças do conselho (At 4:1-21)? Uma vez soltos, relata Lucas, eles foram diretamente aos irmãos, parentes e amigos em Cristo, contaram tudo o que o conselho lhes havia falado (v23), e então, imediatamente eles se reuniram e levantaram a voz a Deus (v24).

Eis aqui a KOINONIA cristã em ação. Vimos os apóstolos no Sinédrio, agora os vemos na igreja. Tendo sido diretos no testemunho, foram igualmente diretos na oração. Assim foi a oração deles:

I)DESPOTES (gr), SOBERANDO SENHOR


Esse termo era usado para denominar um proprietário de escravos e uma autoridade de poder inquestionável. O Sinédrio poderia fazer ameaças e proibições, e tentar silenciar a igreja, mas a autoridade deles estava sujeita a uma autoridade maior. E então, se observarmos, antes de fazerem qualquer pedido, o povo encheu a mente, pensando na soberania divina, afirmando que Deus fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há (v24). O que aprendemos com isso: Os decretos dos homens não podem passar por cima dos decretos de Deus.

II)ELE É DEUS DE REVELAÇÃO


Deus falou por intermédio do Espírito Santo por boca de Davi, e que no Salmo 2 (reconhecido como salmo messiânico já no primeiro século antes de Cristo) tinha predito a oposição do mundo ao seu Cristo, com os gentios enfurecidos, povos imaginando coisas vãs, reis se levantando e autoridades ajuntando-se contra o Ungido do Senhor (vs25-26).

III)ELE É O DEUS DA HISTÓRIA


Deus é o Deus da história que fez com que até seus inimigos (Herodes e Pilatos, os gentios e os judeus, unidos numa conspiração contra Jesus (v27) fizessem tudo o que a mão e o propósito de Deus predeterminaram (v28).

Portanto, era assim que a igreja primitiva entendia o Deus da Criação, da Revelação e da História, cujas ações características são resumidas em três verbos: fizeste (v24), disseste (v25) e predeterminaste (v28).

Somente agora, com uma clara visão de Deus, e com humildade perante ele, estavam finalmente prontos para orar. Lucas nos relata três pedidos principais:

  1. Era que Deus olhasse para as suas ameaças (v29) – não era uma oração para que suas ameaças caíssem sob o julgamento divino ou que não fossem cumpridas, para que a igreja pudesse permanecer em paz e segurança, mas simplesmente que Deus olhasse para elas, que se lembrasse delas;
  2. Era para que Deus os capacitassem a serem seus servos (literalmente escravos) para falar da sua Palavra com toda intrepidez (v29), que não fossem impedidos pela proibição do Sinédrio nem temessem suas ameaças;
.
  1. Era para que deus estendesse a mão para fazer curas, sinais e prodígios, por intermédio do nome de Jesus (v30). Eles não exigiam milagres de vingança ou destruição, como fogo dos céus, mas, sim, milagres de misericórdia. Além disso, a palavra e os sinais deviam vir juntos; os sinais e os milagres confirmavam a palavra proclamada com intrepidez.

Em resposta a essa oração sincera e unânime:

  1. Tremeu o lugar, tornando-os ainda mais inabalábeis;

  1. Todos ficaram cheios do Espírito Santo;

  1. Em resposta ao seu pedido específico (v29), anunciaram a palavra de Deus com intrepidez (v31).

Nada se diz neste texto em relação ao outro pedido específico – os milagres de cura (v30) – mas provavelmente seria legítimo ver a resposta em Atos 5:12 que diz: “muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo, pelas mãos dos apóstolos”.

É isso que acontece quando de joelhos, a igreja ora: ela avança!

Que Deus nos abençoe.
Com temor e tremor,
Pr Charles.

(inspirado e extraído do livro Atos - Mensagem para Hoje – John Stott)

Nenhum comentário:

Postar um comentário